sexta-feira, 8 de maio de 2015

Apatia


Crédito: maaria

Eu queria sair correndo desesperada pedindo ajuda. Queria soluçar de tanto chorar, tremer de tanta ansiedade, suar frio de tanto medo. Gaguejar por não ter espaço suficiente pra que tantas palavras saiam. Pode parecer bizarro, mas é apenas o que eu queria.

Pois pior do que passar por essas situações descritas, é você querer liberar teus sentimentos e não conseguir. O grito não sai. As lágrimas não vêm. As palavras são rasas. O corpo parece preguiçoso demais para qualquer coisa além do essencial. O riso não vira gargalhada. O carinho não vira amor. O pensamento não vira desejo. É tudo fumaça.

Só me resta aquele olhar desanimado, que não é nem tão bom para ser alegre nem tão ruim para ser triste. Aquele desabafo curto e superficial, que parece apenas que estou reclamando da vida como quem reclama de uma conta de luz alta demais. A postura corporal é comum, já que pareço alguém corcunda de tanto me sentar errado. A aparência parece apenas desleixada, nem arrumada nem totalmente largada. Nada que deixe claro que há algo pior por trás disso.

Já tentei de tudo. Já chutei pra cima. Comi uma porção de doces, fui dar uma volta, comprei algo pra mim, me embelezei, saí de casa, dancei sem ninguém ver, fiz yoga e meditação. Não deu, continuei na média. E já tentei cavar bem fundo. Vi filme depressivo, bebi, fumei, passei horas na cama, pensei nas desgraças do mundo, cutuquei fundo na ferida de relacionamentos passados e carência, ouvi as músicas mais tristes, cultivei a desesperança. Simplesmente nada. A mesma média de sempre.

A mesma apatia. O mesmo tempo sem vento. A mesma sala amarelada com cheiro de mofo. Aquela fila em que o tempo também aguarda. A lâmpada que não ilumina mais como antigamente. Aquele trecho da praia em que a areia fica pegajosa e molhada, mas que já não recebe mais ondas.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Daydreamer

No plano normal, apenas vivo. Minha existência somente é plena em meu mundo. Aquele oxigênio imaginário, que criei para suprir as experiências e sensações que não experimento no mundo ordinário. Nesse dia após dia, rotineiro, repetido, previsível, lentamente mutável, sem grandes aventuras.

Me chamam de doida, louca, desatenta, iludida, de imaginação fértil até demais. Quanto mais exponho os quadros do que penso, mais me fecho e penso em me trancar nesse universo onde as cores são mais vivas, as emoções são mais intensas, as horas tiram o nosso fôlego e as leis da física e da sobrevivência como as conhecemos não fazem o menor sentido.

Se quiser me procurar, pegue esse fio de algodão doce que caminha no cheiro de amêndoa, entregue para a árvore amiga do alfaiate e ele lhe cederá uma coruja para lhe ensinar como vivemos por aqui.

Não se iluda: as tempestades aqui são mais fortes. Os vilões apunhalam pelas costas, te permitem sangrar lentamente até o teu último suspiro. A indiferença é mais enraizada.

Mas também aqui a esperança é uma criança viva rindo alto no gira-gira. O beijo tenro lhe faz uma visita quando você o chama. O momento perfeito do pôr do Sol dura mais tempo. É aqui que mora aquela nossa extinta amiga sinestesia.

E não posso dar mais detalhes. A grande maioria acha que isso é muita falta de atenção, bobagem, papo imaturo, coisa de quem não tem mais o que fazer. Portanto, me calo. Não abro mão de minha criação.

Deixo-vos com a poesia quadrada de alguns comerciais televisivos. O mundo não é dos sonhadores... E é assim que o preferem.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Não somos tão irredutíveis como pensamos

Achei este site incrível falando sobre alguns dos experimentos mais incríveis sobre psicologia, mostrando como não temos nossa personalidade tão rígida quanto consideramos ter. Eis algumas das que eu acho mais interessante de lembrar atualmente:

1) O Efeito Halo: A impressão que você tem da imagem de uma pessoa afeta como você pensa sobre a personalidade dela

Você está vendo televisão e vê uma pessoa famosa. A pessoa aparece bem arrumada, sorridente, gentil, simpática. Automaticamente, você começa a pensar que aquela deve ser uma boa pessoa, amigável, com bons costumes… Né? Esse experimento mostra como estendemos nossos julgamentos de imagem sobre os traços de personalidade de alguém. O que isso importa? Sua imagem influencia a opinião das pessoas. Exemplo: se você está mal humorado e mal vestido, isso faz com que as pessoas pensem que você é uma má pessoa, vagabunda, ladra e tudo o que há de pior. Então é interessante cultivar uma boa imagem se você quer que as pessoas se aproximem de você. Outra coisa? Lembre-se que figuras públicas sabem usar muito bem isso. Ou seja, na próxima vez que você for votar em um político só porque ele tem a imagem de um avô amoroso, feliz e carismático, lembre-se de que isso não significa que se trata de uma pessoa ética, honesta e comprometida com o bem da sociedade.

2) Dissonância Cognitiva: como os outros podem influenciar nossas opiniões

Você faz uma prova e achou super difícil. Aí você sai da sala e todos os seus colegas estão comentando como a prova estava ridiculamente fácil, coisa de criança. Nessa hora você começa a duvidar do seu julgamento e pensar que, de repente, a prova não estava tão difícil assim, certo? Isso acontece porque, quando temos nossas opiniões confrontadas por várias pessoas, tendemos a amolecer para o meio termo. O que isso importa? Isso explica porque somos capazes de mudar de opinião e também como podemos ser manipulados. Quantas vezes começamos a usar um produto novo apenas porque todos ao nosso redor também estão usando?

3) A prisão de Stanford: a ausência de punição pode nos tornar maldosos

O experimento da prisão de Stanford funcionou da seguinte forma: estudantes tidos como boas pessoas foram divididos em papéis de prisioneiros e guardas de uma prisão experimental. E os pesquisadores reforçaram para que fosse feito da forma mais real possível: os guardas "prenderam" os "criminosos", coletaram digitais, realizaram revistas, todos receberam uniformes e números de identificação. Os guardas foram instruídos a punir qualquer mau comportamento. Em menos de um dia, os prisioneiros começaram a se rebelar contra os guardas, e o caldo engrossou. Os guardas aplicavam punições como agressões verbais e físicas, castigos que iam desde ficar sem comida a limpar privadas com as próprias mãos. A situação saiu tanto do controle que o experimento foi interrompido em apenas 6 dias. Cinco "prisioneiros" saíram antes mesmo desse prazo, com sintomas de depressão, crises de pânico e até convulsões. O que isso explica? Que sua ética pode ser dobrada se lhe derem poder excessivo, mesmo que você seja aparentemente uma boa pessoa. A liberdade de fazer o que quiser, sem preocupação se seu mau comportamento será punido, te leva a ter más atitudes, especialmente quando reforçadas em grupo.

4) O experimento de Milgram: somos coagidos a más atitudes por pessoas autoritárias

O experimento de Milgram consistiu em um ator preso a uma cadeira de choques elétricos com uma escala de choques que ia desde "pouco doloroso" até "XXX". Na verdade, ele apenas recebia choques de 35 V. Um voluntário deveria fazer perguntas ao "prisioneiro" e, a cada resposta errada, ou a cada falta de resposta, um choque deveria ser aplicado e a escala de dor deveria ser aumentada. Eles eram incentivados por um "supervisor" autoritário a continuar aplicando os choques nos momentos em que ficavam hesitantes. Resultado? 65% dos voluntários chegaram ao último nível da escala, que supostamente levaria o "prisioneiro" ao desmaio por dor. O que isso diz? Quando você está hesitante sobre algo, uma opinião autoritária pode te levar a fazer o que é pedido, mesmo que você saiba que se trata de algo horrível. Ora por medo, ora por necessidade de aceitação, ora por impulso. Mas o fato é que precisamos estar sempre alertas com nossas ações.

5) Fortuna imediata: não sabemos lidar com quantias que não são comuns a nós

O que um morador de rua faria se ganhasse 100 mil dólares? Isso é o que foi gravado no documentário Reversal of Fortune, de 2005. Um morador de rua, Ted, da California aceitou o desafio. Imediatamente comprou uma bicicleta, alugou um quarto de motel e foi a um parque de diversões com um amigo. Ted retomou o contato com a família, arrumou uma namorada e recebeu conselhos profissionais de como administrar o dinheiro. Ignorando os avisos, comprou um carro, uma casa, gastava em média de 10 mil dólares por semana em bares, comprou uma pick-up de 35 mil dólares, um carro para a namorada, se recusava a trabalhar e continuava a recusar as orientações. Resultado? Em seis meses, restavam menos de 5 mil dólares para Ted. Você pode até achar que isso apenas aconteceu porque se trata de um morador de rua, mas a grande verdade é que não conseguimos lidar com quantidades de dinheiro que estão fora de nossa realidade, seja para mais ou para menos. Por isso, caso você tenha a sorte de ganhar uma boa grana, enfie na cabeça que você precisa fazer investimentos (e caso você tenha a infelicidade de, por exemplo, passar a receber um salário muito menor, respire fundo e reveja seus hábitos). Aliás, Ted perdeu tudo e voltou a ser morador de rua.

6) Somos péssimos em adivinhar o pensamento dos outros

Se tivermos que dar uma opinião sobre o que uma pessoa desconhecida faria em determinada situação, o mais provável é que iremos dar o palpite que nós mesmos faríamos. É por isso que somos sempre surpreendidos pelas atitudes das outras pessoas, fazemos julgamentos e nos achamos melhores que os outros. Portanto, vamos nos lembrar que somos únicos. Ninguém é melhor do que ninguém. Somente com observação, empatia e respeito é que poderemos compreender um pouco melhor as pessoas ao redor.

7) A Teoria de Identidade Social: por quê grupos e preconceitos se formam tão facilmente

Cada um de nós tem sua opinião própria. Muitas vezes a escondemos com medo de sermos vítimas de críticas. Porém, quando alguém levanta uma bandeira que reflete o que pensamos, tendemos a nos unir - é normalmente assim que começamos os relacionamentos. Se a quantidade de pessoas com essa mesma opinião aumenta, nos sentimos protegidos, seguros de que a nossa opinião é majoritária e correta, e aumentamos nosso tom de voz sobre o que achamos. Por isso revelamos apenas nossos gostos vistos como mais comuns, e opiniões horríveis são pronunciadas em alto tom. Contamos com a proteção da aceitação de um grande grupo, que funciona quase como escudo. Ou seja, basta que um grupo se forme para que um pensamento ganhe força. Um grupo também faz com que nossas opiniões sejam mudadas para que tenhamos a aceitação de um número maior de pessoas. O que isso explica? Correntes de Facebook, tendências culturais e pensamentos raivosos como o sexismo, a homofobia e a volta da ditadura.



Pois é, pois é, pois é! Não manjo das coisas, mas psicologia é bem útil e interessante. E complexo.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Produtividade pela manhã

Manter a produtividade é importante, independente da fase em que estamos de nossas vidas. Mas sabemos que isso é um bocado difícil na prática, especialmente quando é uma segunda-feira, quando estamos de mau humor, quando estamos doentes, quando não temos motivação, quando não temos disciplina, quando não temos dinheiro, quando o país está uma droga, quando o mundo está uma droga, quando você terminou um livro e não sabe qual rumo tomar na vida, quando o pão caiu com a manteiga virada pra baixo, quando você só achou o pé esquerdo do chinelo, quando não está o clima que você queria, quando ninguém te chama no Whatsapp, quando tem um Catzilla na sua janela, quando seu horóscopo diz que o alinhamento dos planetas indicam dias ruins para o amor, quando você descobre que perdeu a promoção de jujubas ou quando você se lembra que o chocolate Surpresa provavelmente não vai voltar.

Mas é possível driblar com algumas dessas coisas e pelo menos enfrentar o dia com mais decência. Esses são alguns métodos que tentei nos últimos tempos e parecem realmente funcionar.

1) Tente acordar sempre no mesmo horário. Não importa se você tem mais inclinação para ser galo ou coruja, tente acordar no mesmo horário todos os dias da semana. Sim, TODOS. Isso serve para regular seu relógio interno; consequentemente, você saberá naturalmente a que horas dormir, a que horas acordar, e mais ou menos a quantidade de tempo que terá para resolver seus pepinos.

2) Faça algum exercício mental para ativar sua mente e deixá-la mais desperta. Existem alguns aplicativos por aí, como o Lumosity, o Fit Brains Trainer, o Elevate e o Peak. Você também pode fazer algum exercício como escrever seus sonhos assim que acordar ou escrever no seu diário sobre o dia anterior. Se seu objetivo é apenas fazer a mente e funcionar, e não suas mãos, você pode tentar algo como isso aqui:

a) Conte de 100 a 0 mentalmente. O mais rápido que puder.
b) Diga 10 nomes femininos. Tente não repetir nomes do dia anterior e evite nomes de pessoas próximas a você.
c) Diga 10 nomes masculinos. Valem as mesmas regras.
d) Lembre-se de 10 objetos do cômodo em que você está, com o máximo de detalhes que puder deles.

É um exercício simples e parece muito bobo, mas é muito eficiente.

3) Faça uma lista com 3 objetivos a conquistar no dia. Algo pendente, alguma ideia nova, não importa. Pense no que precisa fazer, calcule o tempo estimado para fazer cada uma, coloque cerca de 30% a mais de tempo (por segurança) e se organize. Escreva em algum lugar e lembre-se disso durante o dia, mas sem pressão. O ponto chave é fazer com que você se esforce durante o dia para que possa riscar essas pequenas diretrizes da lista diária antes de dormir. Se sua meta requer mais que um dia para ser feita, tente dividir o grande feito em etapas menores, ou tente planejar a quantidade de dias que irá levar para ser feito. Mas não use isso como desculpa para estender seus planos. Isso é auto sabotagem e quem perde com isso é, principalmente, você.

4) Faça 7 minutos de exercício. Não, não precisam ser 10 minutos. Não, não precisa correr uma meia maratona. Nem mesmo tire o pijama. Dependendo do que você gosta, nem precisa sair da cama ainda. Faça algum alongamento, yoga, pilates, caminhada, algumas abdominais, um trotezinho ao redor do quarteirão, sei lá. O objetivo é ativar a circulação, aumentar os batimentos cardíacos, acordar esse esqueleto, sair desse sedentarismo. Também existem aplicativos para isso, como o 7 Minutos, o 7 Minutos Yoga e o Treino de 7 Minutos. Não chore, são apenas 7 minutos. Se nem ao menos 7 minutos de exercício você pode se dar, você precisa rever suas prioridades.

5) Tome café da manhã. Não, você não precisa cair da cama comendo bacon (a não ser que você queira, é claro =) ). Muitas pessoas acordam nauseadas e levam um tempo para ficar com fome. Mas não precisa ser um enorme banquete. Pode ser aquele pingado com PM, um iogurte, um suco, uma fruta, uma tapioca, um cereal... o que te agradar. Comer é bão demais, não pule esse momento especial.

6) Beba muita água. É impressionante como uma desidratação, mesmo que leve, é capaz de tirar a concentração. Fazer isso é muito simples: tenha sempre por perto uma garrafa de água de 500mL. Se você zerar a garrafa a cada 6 horas, já está de bom tamanho, já que temos outras fontes de hidratação. E digo mais... Água: beba, antes que acabe. Haha. =(

E é isso. São pequenas coisinhas. Requer um pouquinho só de disciplina. Mas se você fizer disso um hábito matinal diário, vai perceber como o dia vai fluir melhor.

domingo, 8 de março de 2015

Para motivar nesses dias

  1. Você nunca sabe o quão forte é até que ser forte é sua única escolha.
  2. A vida não se trata de esperar a tempestade passar, e sim sobre aprender a dançar na chuva.
  3. A vida é 10% do que acontece com você e 90% de como você reage a isso.
  4. Desistir não significar que você é fraca; algumas vezes que dizer que você é forte e esperta o suficiente para deixar passar.
  5. Não se martirize sobre o passado ou se preocupe demais com o futuro. A vida é agora. Viva.
  6. Se você continuar fazendo o que está fazendo, continuará recebendo o que recebe.
  7. Quando você passa o tempo se preocupando, você está simplesmente usando sua imaginação para criar coisas que você não quer que aconteçam.
  8. Você precisa ver as coisas do jeito que elas são, em vez de vê-las do jeito que você esperava, queria ou desejava que fossem.
  9. Em tempos de grande estresse, é sempre sábio se manter ocupada, para transformar sua raiva e frustração em algo positivo.

Tá aí 9 coisas que preciso aprender, especialmente no momento atual de minha vida. Retirado daqui.

Não é que eu tenha perdido totalmente a esperança. Mas tem horas que eu simplesmente não vejo motivos para sair da cama. Sou muitas vezes vista como uma pessoa inteligente e criativa, mas quando se trata sobre minha própria vida, talvez eu seja um fiasco. Profissionalmente, estou numa situação complicada. Minha mãe está aposentando e eu nem comecei uma carreira ainda. Carreira, só se for de pó.

Tem faltado motivação nos últimos dias, ainda mais quando só se sente dores pelo corpo. Mas essa listinha é importante, especialmente a última. Nem que eu me mantenha ocupada fazendo caça-palavras, mas é melhor fazer alguma coisa, qualquer coisa, do que apenas direcionar os pensamentos para coisas negativas.

Muito bem! Agora vamos ver se funciona na prática...